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Recuperações judiciais no Brasil devem bater recorde em 2025, com mais de 3 mil pedidos

Estudo revela que juros altos, crédito restrito e crise global devem manter alta das recuperações

Por Redação / 22 de outubro de 2025

Recuperação judicial. Foto: Freepik

Foto: Freepik

O número de pedidos de recuperação judicial no Brasil deve ultrapassar a marca de 3 mil em 2025, segundo projeção da SWOT Global Consulting, consultoria especializada em perícia econômico-financeira e estratégica. O cenário é impulsionado por fatores como juros elevados, crédito escasso e pressões externas, incluindo o “tarifaço” dos Estados Unidos, que encarece insumos e compromete a margem de lucro de empresas brasileiras.

Em 2024, o país já havia registrado um recorde histórico de 2.273 pedidos de recuperação judicial, o que representa um aumento de 61,8% em relação ao ano anterior e supera o pico anterior, de 1.863 casos, registrado em 2016. A tendência de alta segue firme em 2025: somente em março, foram registrados 187 pedidos, número 2,2% superior ao mesmo mês de 2024.

A inadimplência empresarial também atinge níveis preocupantes. De acordo com o estudo, 7,2 milhões de empresas estavam inadimplentes em 2025, o que equivale a cerca de 31% dos CNPJs ativos no país.

Setores mais afetados

A análise da SWOT aponta que os setores de serviços e comércio foram responsáveis por aproximadamente dois terços dos pedidos de recuperação judicial em 2024, refletindo os efeitos do crédito caro e dos prazos mais longos para recebimento. A construção civil também aparece entre os mais impactados, em função do aumento dos custos de materiais e da dificuldade de acesso a financiamento.

O agronegócio, por sua vez, registrou um salto expressivo no número de pedidos: foram 1.272 recuperações em 2024, alta de 138% em relação a 2023.

As micro e pequenas empresas são as mais vulneráveis, concentrando até 80% dos pedidos de recuperação judicial, segundo a SWOT. A dificuldade de acesso a crédito e a menor capacidade de negociação com credores agravam ainda mais a situação dessas companhias.

Impactos regionais e desafios

A região Sudeste lidera em número de casos, mas a distribuição varia conforme os choques específicos em determinados setores e regiões. Além do volume elevado, chama atenção a lentidão nos processos: em média, uma recuperação judicial leva mais de dois anos para avançar. Apenas 23% das empresas que entram em recuperação conseguem sobreviver ao processo, de acordo com estudos citados no levantamento.

No cenário global, a consultoria destaca uma estimativa da Allianz Trade de que 2,3 milhões de empregos estejam sob risco em 2025, como consequência da alta generalizada nas insolvências corporativas.

Metodologia e projeções

Segundo Hilton Junior, vice-presidente da SWOT Global Consulting, o estudo utilizou uma combinação de bases de dados da Serasa Experian, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), além de relatórios internacionais de risco, como os da Allianz Trade e da Atradius.

“Foram aplicados modelos de séries temporais e segmentações por porte, setor e região, permitindo analisar com precisão as tendências do mercado. Além disso, construímos cenários projetando o comportamento das recuperações judiciais para 2025 e 2026, o que ajuda empresas e investidores a entenderem riscos e oportunidades”, explica.

Comparativo internacional

A análise também compara a situação brasileira com outros países da América Latina. Chile e Colômbia passaram por reorganizações significativas em 2024 e 2025, enquanto a Argentina ampliou os chamados concursos preventivos, em meio à recessão prolongada e instabilidade cambial.

Segundo as projeções internacionais, as insolvências globais devem crescer 6% em 2025 e seguir em alta, com avanço estimado de 3% em 2026.

No Brasil, a expectativa da SWOT é de que o elevado número de pedidos se mantenha ao longo deste ano. Para 2026, o cenário pode apresentar alívio gradual — condicionado a uma eventual redução dos juros reais, à recomposição do crédito e à normalização parcial do custo dos insumos.

Recomendações

Diante do cenário desafiador, Hilton Junior reforça a importância de uma postura preventiva por parte das empresas. “Quanto mais cedo a empresa buscar renegociação de dívidas e reorganização, maiores as chances de preservar operações e empregos. A recuperação judicial deve ser vista como último recurso”, finaliza.

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