Notícias

Laboratório do CNJ foca em prevenir condenações injustas

Estrutura quer padronizar provas e criar diretrizes nacionais para evitar falhas no sistema de Justiça

26 de novembro de 2025

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou a criação do Laboratório Justiça Criminal, Reparação e Não Repetição durante a 16ª Sessão Ordinária de 2025, com foco na produção de provas penais e no enfrentamento de condenações injustas. A decisão, amparada no ato normativo 0008094-87.2025.2.00.0000, segue voto da conselheira Daniela Madeira, que apontou a necessidade de mecanismos técnicos para reduzir falhas estruturais no sistema.

A conselheira observou que o laboratório nasce para apoiar práticas ligadas ao cumprimento de prisões e medidas cautelares penais. Segundo ela, o órgão servirá como ponto de convergência para diagnósticos e diretrizes que reforcem direitos fundamentais e protejam investigados e acusados contra erros que ainda se repetem.

Na sessão anterior, a relatora já havia defendido que o CNJ precisa admitir a existência de problemas que atravessam órgãos de investigação, tribunais e rotinas administrativas. Para ela, o novo espaço institucional marca um avanço na busca por respostas concretas às condenações injustas.

Atribuições

A estrutura terá competência para sugerir diretrizes e políticas judiciárias voltadas ao cumprimento de prisões e medidas cautelares, incluindo buscas e apreensões pessoais e domiciliares. O laboratório também ficará responsável por propor estratégias de prevenção, mitigação e reparação de erros judiciais.

Outra função será examinar decisões do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, da Corte Interamericana de Direitos Humanos e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, além de outros casos enviados por organizações da sociedade civil.

Protocolos e provas

O laboratório terá um eixo dedicado à construção e revisão de protocolos ligados ao cumprimento de prisões e à produção de provas. A intenção é incentivar métodos baseados em evidências científicas, capazes de dar mais solidez à coleta, análise e uso de elementos probatórios em investigações e decisões judiciais.

O grupo também oferecerá apoio à qualificação das rotinas investigativas e jurisdicionais, cobrando padrões que reduzam margem de erro e reforcem direitos.

Apoio da RenovaJud

A RenovaJud dará suporte ao funcionamento do laboratório com oficinas sobre práticas processuais e prevenção de falhas. O material produzido será enviado ao novo órgão para análise e consolidação.

Composição

O laboratório será presidido pelo conselheiro ou conselheira responsável pelo Laboratório de Inovação e ODS do CNJ. A composição também incluirá quatro magistrados indicados pela Presidência do CNJ, além de juízes auxiliares que atuam no Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e na Unidade de Monitoramento e Fiscalização das Decisões do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Um representante da Corregedoria Nacional de Justiça completa a formação.

O laboratório abre espaço para que o CNJ avance na padronização de práticas penais e na construção de referenciais técnicos capazes de enfrentar erros que ainda marcam o processo penal brasileiro.

Tags

CNJ

Notícias Relacionadas

Notícias

BC fará consulta pública sobre normas para criptomoedas

Editais deverão ser publicados ainda neste semestre

Notícias

Inquérito sobre espionagem da Paper Excellence contra J&F é reaberto

Caso da Americanas serviu de inspiração para decisão da ministra Daniela Teixeira