Notícias

CNH sem autoescola: veja o que muda para tirar carteira de motorista

Ao comentar o impacto da decisão para as autoescolas, advogado afirma que a alteração pode ser judicializada

Por Marcelo Galli / 2 de dezembro de 2025

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou uma nova resolução que elimina a exigência de frequentar autoescola para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Segundo o Ministério dos Transportes, a medida visa ampliar o acesso à habilitação, reduzindo desigualdades sociais e oferecendo mais chances a quem depende da carteira para trabalhar e se locomover. Ainda conforme dados oficiais, cerca de 20 milhões de brasileiros dirigem sem habilitação, e outros 30 milhões têm idade para obter a CNH. 

A nova regra será válida a partir da publicação da resolução no Diário Oficial da União. Até lá, segue valendo o modelo tradicional de habilitação. Confira o que muda:

Curso teórico gratuito e digital
O conteúdo de legislação e teoria de trânsito será disponibilizado gratuitamente online pelo governo. O candidato pode optar entre estudar pela internet — ou, se preferir, continuar frequentando autoescolas ou centros credenciados.

Carga horária
A obrigatoriedade de cumprir horas mínimas em aulas de direção práticas foi flexibilizada e passará a ser de 2 horas. O candidato poderá escolher entre tradicional autoescola, instrutor autônomo credenciado ou outro formato permitido. 

Redução no custo
Com a nova regra, o custo total para tirar a CNH pode cair até 80%, o que representa um alívio significativo para quem antes não conseguia arcar com taxas e mensalidades que, em muitos casos, ultrapassavam R$ 5 mil.

Avaliação
Apesar das flexibilizações, continuam obrigatórios os exames teórico e prático para avaliação da aptidão à condução. Isso mantém o critério de aprovação e não altera os requisitos de segurança para obtenção da carteira. 

Quem se beneficia?
Jovens que não conseguem iniciar o processo de habilitação por falta de recursos; trabalhadores formais e informais que precisam da CNH para desempenhar atividades; moradores de regiões com menor oferta de autoescolas; motoristas profissionais que buscam mobilidade no mercado de trabalho; pessoas que já dirigem, mas não têm habilitação e desejam regularizar a situação.

Na opinião do advogado Walber Pydd, especialista em trânsito, há o risco de perda de qualidade da formação dos motoristas. “Os profissionais já credenciados possuem vasta experiência, mas a mudança não garante isso em relação aos novos instrutores”, afirma, acrescentando que ainda não está claro como vai ser a fiscalização da atuação dos profissionais autônomos. 

Ao comentar o impacto da decisão para as autoescolas, o advogado afirma que a alteração pode ser judicializada e ser discutida pelo Congresso. “Já existe uma movimentação de profissionais ligados às autoescolas no sentido de questionar as mudanças na Justiça, e de parlamentares no sentido de regulamentar a aplicação das novas regras”, avaliou. 

A Federação Nacional das Autoescolas (Feneauto) estima que a mudança pode levar ao fechamento de cerca de 15 mil empresas em todo o país, provocando até 170 mil demissões diretas e indiretas — número que pode chegar a 300 mil, se forem consideradas as cadeias produtivas envolvidas, como psicólogos, médicos, fornecedores e prestadores de serviços.

Já para Paulo Henrique Alves Braga, do Bocayuva Advogados, a medida cria novos desafios práticos e um vácuo jurídico. Ele explica que a fiscalização de rua do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) precisará se adaptar para identificar novas irregularidades, como aulas ministradas por instrutores não credenciados. 

Além disso, surge uma incerteza sobre a responsabilidade civil em caso de acidentes durante as aulas práticas com instrutores autônomos. “Sem a estrutura de uma autoescola, que hoje arca com seguros específicos, não está claro sobre quem recairá a obrigação de reparar danos, se sobre o instrutor, o aluno ou ambos, gerando insegurança jurídica e física para todos os envolvidos no trânsito”, afirmou. 

Notícias Relacionadas

Notícias

Toffoli invalida provas do acordo de leniência da Odebrecht

Inquéritos ou ações judiciais em curso deverão ser arquivados

Notícias

Gestante consegue anular pedido de demissão e receber indenização

Segundo colegiado de ministros, a demissão deveria ter sido homologada pelo sindicato da categoria, o que não ocorreu