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Condenação de Bolsonaro reforça crise com EUA; secretário ameaça retaliação

Outra recente declaração de Trump acionou alerta vermelho; risco de conflito armado é baixo, mas retórica não pode ser ignorada, diz especialista

Por Redação / 12 de setembro de 2025

Marco Rubio. Foto: Wikipedia

Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio (Foto: Wikipedia)

A relação entre Brasil e Estados Unidos atravessa um novo momento de tensão diplomática após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, de 70 anos, a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (11) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, que considerou Bolsonaro culpado de liderar uma conspiração para se manter no poder mesmo após a derrota nas eleições de 2022. É a primeira vez na história do país que um ex-presidente é punido por esse tipo de crime.

A reação dos EUA foi imediata. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, usou as redes sociais para condenar a decisão do STF, classificando-a como uma “caça às bruxas”.

“As perseguições políticas pelo violador de direitos humanos sancionado Alexandre de Moraes continuam, enquanto ele e outros membros do Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiram injustamente pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro”, escreveu Rubio no X (antigo Twitter). “Os Estados Unidos responderão adequadamente a essa caça às bruxas”, acrescentou.

O presidente dos EUA, Donald Trump, também criticou a decisão da corte brasileira. Em entrevista à imprensa, Trump afirmou estar surpreso com a maioria formada pela Primeira Turma do STF para condenar o aliado político. Embora não tenha confirmado a imposição de sanções a autoridades brasileiras, Trump comparou a situação de Bolsonaro à que ele próprio enfrenta em seu país. “O Supremo conseguiu com Bolsonaro o que tentaram fazer comigo nos Estados Unidos”, declarou.

Tentação dos líderes populistas

Recentemente, a Casa Branca declarou que Trump “não tem medo de usar o poderio militar e econômico” para proteger a liberdade de expressão em países da América do Sul, incluindo o Brasil, reacendendo preocupações sobre soberania e estabilidade regional.

Para Francisco Nascimento, professor de Direito Constitucional e Internacional da faculdade Estácio, o risco de um conflito armado direto entre os dois países é baixo, mas a retórica não pode ser ignorada.

“Em tempos de crise política, cresce a tentação de líderes populistas reinterpretarem a Constituição de forma distorcida, transformando garantias democráticas em instrumentos de poder. Esse fenômeno silencioso mina instituições e fragiliza a soberania de países como o Brasil, deixando-os mais vulneráveis a pressões externas”, afirma.

Nascimento destaca que os riscos não se limitam ao campo militar: “Hoje, os conflitos internacionais se manifestam também em sanções econômicas e diplomáticas. Ao mesmo tempo em que os EUA poderiam exercer pressão direta, a fragilidade constitucional interna torna o Brasil suscetível a ingerências, principalmente quando discursos políticos relativizam direitos fundamentais ou flexibilizam cláusulas pétreas em nome da soberania popular.”

Ele compara o cenário brasileiro a experiências recentes em países como Hungria, Polônia e Venezuela. “Vimos como alterações constitucionais e interpretações criativas da lei foram usadas para concentrar poder e enfraquecer instituições. Se algo semelhante ocorre no Brasil, abre-se espaço para que potências estrangeiras justifiquem intervenções, sob o argumento de defesa da liberdade”, alerta.

Nesse contexto, o professor conclui que o fortalecimento institucional deve ser prioridade nacional: “A vigilância permanente da sociedade, da imprensa e das instituições de controle é indispensável para que a Constituição continue sendo a garantia da democracia, e não o seu disfarce. Proteger nossa democracia é também proteger nossa soberania diante de pressões externas”.

Com informações do jornal Folha de S.Paulo

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